A importância do funk por trás dos palcos

Por Communicare

Um pouco dos bastidores do funk e como o ritmo muda a vida de todas as pessoas envolvidas nele
Por Maria Julia de Araújo

Que o funk vem crescendo cada vez mais, é um fato. No entanto, além da mudança que o movimento traz aos MC’s que estão na comissão de frente, ele também transforma a vida de diversas pessoas que estão por trás dos palcos. Todos os dias, desde a organização de um evento até as pessoas que saem às ruas entregando os panfletos, o funk faz a diferença. 

Hoje, sabemos da realidade de muitos cantores que foi transformada radicalmente e assim, puderam sair da extrema pobreza rumo ao topo do sucesso. Mas você já se perguntou como o movimento mudou também a perspectiva das pessoas que estão por trás dos palcos?

Um desses MC’s que encontraram no funk um refúgio, é Hariel Denaro. O cantor de apenas 23 anos vem dando aulas nos últimos tempos com letras incríveis escritas pelo próprio. Hariel está no cenário do funk desde 2011, quando gravava vídeos de seu celular e postava no YouTube com o sonho de estourar. Hoje, ele é considerado um dos maiores nomes do funk, com clipes que somam mais de 200 milhões de views cada e sendo um dos artistas mais ouvidos do Spotify no Brasil. 

Hariel é artista da gravadora GR6 Explode e conta com uma produção em todos seus shows. Uma das pessoas presentes em seus bastidores, é seu segurança, Fábio, mais conhecido como Cafu. 

Cafu está no cenário do funk desde 2013, quando iniciou seu trabalho para MC Dede. Após algum tempo e depois de alguns problemas, pediu afastamento, mas ainda se manteve na GR6, quando começou seu trabalho com Hariel.

Em conversa com ele, após ser perguntado quando percebeu que o funk mudou sua vida, respondeu: 

Imagine você trabalhando em porta de balada, ganhando $70 por noite, de repente chega um produtor e te oferece trabalhar com um MC e você se vê recebendo 10x mais do que você recebia em uma noite. Nesse momento eu percebi que minha vida mudou completamente.

Além disso, Cafu também foi questionado sobre suas histórias marcantes dentro do movimento e sobre como é trabalhar com o Hariel e como ele influenciou no seu trabalho.

Você nunca imagina viajar, e do nada você vai para o Paraguai, Argentina, entre outros que não me recordo agora. Isso pra mim foi tudo. Nunca se saiu do Brasil e do nada ir para países que você só via na televisão. Foi tudo!

Sobre o Hariel, declarou:

Trabalhando com o Hariel, para mim, falar é fácil. Só as pessoas que convivem com ele para saber. É fora do sério! O menino é um moleque coração, família, não é um menino emocionado. Procura a todo momento ajudar as pessoas, principalmente nós da equipe. Com a idade que ele tem, me fez mudar meu modo de pensar e agir. É uma coisa que não tem como falar tudo, é uma menino sensacional, puro mesmo!

MC Hariel e sua equipe no pré show. | Foto/Reprodução Instagram

Cafu representa um pouco da importância do funk por trás dos palcos. É muito fácil notar a mudança quando pensamos nos MC’s mais famosos do país, mas o movimento vai muito além disso. 

O funk veio para o Brasil na década de 80 e a partir disso já sofreu diversas mudanças. Quando criou suas raízes no Brasil, o ritmo saiu das periferias e passou a ser conhecido em bairros nobres do Rio de Janeiro. Ainda assim, ele se viu marginalizado e segue sendo até hoje, 40 anos depois. Maior exemplo disso do que a diferença entre as notícias que lemos sobre bailes funk e baladas na burguesia das cidades, impossível.  

A luta frequente é para que a sociedade enxergue que o funk faz parte da cultura brasileira e muda a vida de pessoas que vêm da periferia e que podem – e devem – alcançar o topo.