CASO VON RICHTHOFEN: O QUE É (IR)REALIDADE NO FILME

Por Communicare

Qual versão do filme está mais próxima da realidade?

O caso da família Von Richthofen aconteceu nos anos 2000, quando Suzane, seu namorado Daniel e o irmão dele Cristian arquitetaram e assassinaram brutalmente Marísia e Manfred, pais de Suzane. 

Recentemente o serviço de streaming Amazon Prime Video lançou dois filmes baseados nos depoimentos de Suzane e Daniel. “A Menina que Matou os Pais” conta a versão de Daniel Cravinhos acerca do acontecimento e de como teria sido influenciado pela namorada enquanto o segundo, “O Menino que Matou Meus Pais”, mostra a versão de Suzane, revelando sua visão sobre os fatos de acordo com o depoimento oficial à justiça.

 Após o lançamento, surgiu a grande dúvida dos telespectadores sobre as produções: qual versão é mais próxima do que realmente aconteceu?

AOS FATOS

Nenhuma versão é totalmente igual aos fatos, e nunca vamos saber quem influenciou quem de verdade. O que acontece nos filmes depende de quem narra a versão, e esta pessoa sempre irá favorecer seu próprio lado, fazendo o oposto com o parceiro. Um claro exemplo no longa é que na versão de Daniel quem o apresentou às drogas foi Suzane e, na versão dela, é ele quem a induz a usar.

SUZANE ERA ABUSADA?

Uma das motivações de Daniel Cravinhos para cometer o crime foi o fato de Suzane afirmar ter sido abusada sexualmente por seu pai. Segundo Cristian, ela dizia ser molestada desde os 13 anos de idade, tanto que no dia do crime, quem desferiu golpes ao Manfred foi Daniel, que buscava uma suposta vingança. 

Na época do julgamento, o advogado de Suzane negou o abuso e, anos depois, em entrevista, ela afirmou o que o advogado já dissera. Durante um depoimento à polícia, Andreas, irmão da assassina, diz que isso nunca aconteceu e que seu pai bateu na irmã apenas uma vez, no meio de uma briga.

Dito isso, somos levados a ver como Suzane foi uma pessoa manipuladora, sem medo de suas próprias palavras, uma vez que conseguiu inventar e articular tal mentira ao ponto de muitas pessoas acreditarem até hoje.

A PIOR (MELHOR) FAMÍLIA

O ponto mais presente e marcante no filme é a diferença de como ambos abordam  a família um do outro: no filme narrado por Daniel, ele descreve a família de Suzane como abusiva e controladora, em que o pai trai a mãe com prostitutas e esta teria um caso extraconjugal com uma antiga paciente. 

Enquanto na versão de Suzane, sua família é amorosa e preocupada com seus estudos, ao passo que as pessoas da família Cravinhos a induziram a beber (mesmo sendo menor de idade), permitiam drogas dentro de casa e os pais não estavam muito preocupados com o futuro dos filhos. 

Claro que não saberemos ao certo qual era a realidade de cada família, mas dois fatos podemos apontar: a família Von Richthofen pertencia à classe média alta, os filhos estudavam nas melhores escolas e tinham tudo “do bom e do melhor”. Então, um relacionamento entre um de seus integrantes, tal como Suzanne, com uma pessoa de classe mais baixa não seria bem-visto. 

Apesar de hoje em dia ficar mais explícito o absurdo, na época, tal preconceito era tido como normal. Além disso, qualquer pai fica preocupado quando vê sua filha deixando de estudar para sair com o namorado e usar entorpecentes, o que valida a desaprovação do namoro. No entanto, essas questões devem ser analisadas profunda e sociologicamente, que não é a intenção deste texto.

O segundo fato é que a mãe de Daniel em seu depoimento diz ‘’acho que esta justiça é necessária. Dói, mas é necessária. Então só peço a Deus que essa justiça imposta pelos homens seja na medida certa, da culpa de cada um’’, referindo-se a sentença de seus filhos. A atitude indica que mesmo sendo uma mãe que ama seus filhos, os deixa seguir seus caminhos conforme a lei e suas consequências. 

Assim, cabe a nós, leitores e telespectadores amantes de casos de crimes reais, refletir qual seria a realidade mais próxima e a que faz mais sentido para cada um acreditar individualmente.  

DROGAS

Em ambos os filmes, o uso de drogas é bem frequente. Na versão de Cravinhos, Suzane já fumava maconha e acabava oferecendo a ele e, para Suzane, foi Daniel quem a apresentou às drogas — segundo ela, era muito comum o uso dentro da casa da família Cravinhos. 

Durante o julgamento, Daniel nega ter apresentado drogas à Suzane e diz nunca ter dado ecstasy a ela. Segundo o advogado dela, essa afirmação é mentirosa, pois a menina tinha apenas 13 anos de idade quando o conheceu e ele 19 — ‘’qual provavelmente deve ter conhecido as drogas antes?” foi a questão deixada pelo jurista. 

ANJOS MANIPULADOS?

A realidade é que nenhum dos acusados irá deixar de culpar um ao outro mutuamente, apesar dos fatos: Daniel e Cristian foram ativos no crime, enquanto Suzane planejou todo o esquema. Afirmar quem manipulou quem é uma tarefa difícil, já que ambos tinham total consciência do que estavam fazendo e o fizeram por livre e espontânea vontade. Ou seja, ninguém é inocente, são apenas culpados com visões diferentes sobre a vontade de cometer um crime. 

ANDREAS

Andreas Richthofen não sabia dos planos da irmã, até o dia em que a mesma foi acusada. Nunca deu qualquer entrevista, apenas um pequeno pronunciamento por escrito dizendo que sentia nojo do crime. Há alguns anos foi encontrado sob efeito de entorpecentes invadindo uma casa, na delegacia se recusava a dizer seu nome completo e dizia que morava em uma ‘’casa zoada a duas ruas’’. Andreas também já disse que gostaria de morar fora do país, pois o peso do seu sobrenome é muito grande no brasil.

SUZANE PSICOPATA?

Suzane von Richthofen foi condenada a 39 anos de prisão e está presa em regime semi-aberto. Não houve diagnóstico oficial de psicopatia sobre ela, porém, a mesma nunca demonstrou qualquer arrependimento sobre o crime; diferente dos irmãos Cravinhos, que já cumprem a pena em regime aberto. Ademais, poucos dias após o assassinato ela estava festejando, em sentido de comemoração, no sítio da família. 

IRMÃOS DO CRIME

Daniel foi condenado a 39 anos e seis meses de prisão em regime fechado. Em janeiro de 2020, ele foi para o regime aberto e deixou a penitenciária em Tremembé.

Cristian foi condenado a 38 anos e seis meses em regime fechado. Ele deixou a penitenciária em agosto de 2017, depois que a Justiça o autorizou a cumprir o resto da pena em regime aberto. Oito meses depois de ter sido solto, foi preso novamente, sob suspeita de agredir uma mulher e tentar subornar policiais militares.