A arte de colagens e como ela se tornou fonte de renda durante a pandemia

Por Communicare

A prática de montar colagens é antiga, e na era digital essa arte passou a ser ainda mais praticada, tornando-se uma boa fonte de sustento durante a pandemia do COVID-19

por Isadora Mendes Pinheiro

      Neste ano, durante a pandemia do COVID-19, as pessoas se viram obrigadas a procurar novas formas de ganhar dinheiro, e com os artistas não seria diferente. As redes sociais e sites de comércio independente proporcionaram os meios necessários para que obras de arte sejam compartilhadas e vendidas para o público.  

   Aplicativos como Instagram e TikTok estão sendo cada vez mais utilizados por artistas do Brasil e do mundo que querem mostrar seu trabalho. As redes atuam como vitrines, e após uma troca de mensagens a compra é efetuada e enviada por correio; assim estão nascendo vários microempreendedores, realizando o sonho de fazer de sua arte o seu sustento.

   É o caso de Bettina Muniz (@be.collages, no Instagram e TikTok). Ela comenta que gostava de fazer colagens desde criança, e viu na internet uma possibilidade de crescimento. “Quando você decide ser artista, e ainda por cima tornar disso a sua profissão (praticamente inventar uma), aí mesmo que você precisa ter coragem. Eu tenho coragem.”, ela diz em um dos seus vídeos.

http://https://vm.tiktok.com/ZSbgSDxR/

   A prática surgiu no início do século XX, o método se espalhou pela Europa juntamente com o movimento cubista. Ícones como George Braque e Pablo Picasso começaram a mesclar materiais em suas pinturas. Recortes, madeira, tecidos, areia, e cordas, abriram um leque de possibilidades para os artistas.

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Quadro “Natureza morta com cadeira de palha” (1912), de Pablo Picasso, que mistura pintura, palha e corda. Fonte: médium.com

 

   Após essa abertura, outros movimentos também incorporaram colagens em suas produções, como o surrealismo, a pop art, e o dadaísmo; o modo de fazer arte estava vivendo uma verdadeira revolução. Como dito pelo diretor gaúcho Renato Cohen, em seu livro A performance da Linguagem: “A essência da Collage é promover o encontro das imagens e fazer-nos esquecer que elas se encontram.”

   Inicialmente, as colagens costumavam ser feitas em telas ou papéis, com partes de revista e jornal, mas a internet permitiu o uso de desenhos digitais, animações e outros efeitos visuais. 

    Com tamanha liberdade, tornou-se mais fácil que pessoas explorem sua criatividade e experimentem coisas novas. A popularidade foi tanta que as colagens chegaram em outras mídias e ramos artísticos. 

    Elas muitas vezes aparecem como recursos gráficos em filmes, séries, e campanhas de marketing. Por exemplo, inúmeras bandas e cantores já usaram colagens como capa dos seus álbuns, como é o caso do clássico The Beatles, e mais recentemente a cantora brasileira Liniker.

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Capa do álbum “Goela abaixo’’(2019), do grupo musical Liniker e os Caramelows, criada pelo artista Domitila de Paulo – fonte: reddit.com